Moema, bairro ideal para se viver, diz pesquisa


Segundo estudo da PUC-SP, o bairro classe média alta, que tem em sua área o Parque do Ibirapuera, oferece condições ideais de vida

Tendo como parte integrante de sua área o Parque do Ibirapuera, Moema bairro de classe média alta da cidade é considerado  o melhor lugar para se viver, segundo levantamento do Núcleo de Estudos e Pesquisas de Seguridade e Assistência Social da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP).
Moema, que em tupi-guarani significa Aurora, já foi um grande viveiro a céu aberto. Cercada na sua origem pela Mata Atlântica, a região foi habitat de diversas espécies de pássaros que hoje dão nome há várias ruas do bairro. Moema atual possui uma estrutura comercial e seus bares e restaurantes são procurados por paulistanos de vários pontos da cidade.
Algumas aves que deram nome as ruas de Moema, ainda são vistas no bairro, destacando-se o araguari, periquito, canário, pintassilgo, ibijaú, tuim, sabiá e o bem-te-vi.
Lygia Veras de Freitas Horta, advogada e professora, que também preside a Associação de Moradores e Amigos de Moema (AMAM), levada pela paixão e curiosidade resolveu levantar a história do bairro e, para isso, pretende escrever um livro. "Acho que ainda não conheço Moema suficientemente. Quando ensaio escrever, descubro coisas novas", disse. Mas, relata com muita disposição, algumas passagens históricas do bairro.
Ela conta, por exemplo, que em 1913, com o dinheiro da venda de alguns terrenos no Litoral Sul de São Paulo, o engenheiro Fernando Arens comprou o Sítio da Traição, uma área de 182 alqueires que começava a Oeste da Vila Mariana, entre os Córregos Uberaba e Traição. O Córrego Uberaba percorria o trecho que hoje corresponde as Avenidas República da Líbano, Jabaquara, Indianópolis, desaguando no Rio Pinheiros; o Córrego da Traição ocupava toda a área onde está a Avenida Bandeirantes. Lygia Horta acredita que os primeiros habitantes do bairro, os europeus, vieram para a construção da estrada de ferro de Santo Amaro.
Criada em 1938 pelo próprio engenheiro a Companhia Territorial Paulista, a CTP, iniciou o loteamento de outra parte do terreno. O trabalho de terraplanagem foi feito manualmente com a utilização de pás, enxadas e picaretas. Uma grande Avenida chamada Araci, em homenagem à filha de Arens e pela sua predileção por nomes indígenas, foi aberta no centro do bairro. Hoje essa Avenida é a Indianópolis. As ruas que vão até a Avenida Rubem Berta, pelo mesmo motivo receberam nomes indígenas: Jurema, Chibarás, Nhambiquaras, entre outros. Nessa mesma época surgiu o Bonde Amarelo, muito importante para o desenvolvimento do bairro.
A Fazendinha, como era conhecido Moema, era uma região fabril. Onde hoje está o Shopping Center Ibirapuera funcionava a tecelagem Indiana, e em frente a ela a Fábrica de Linhas Seta. Com o crescimento das fábricas da região, muitos imigrantes para lá foram atraídos, entre eles alemães, italianos, austríacos e russos que passaram a constituir a mão-de-obra dessas fábricas, fazendo surgir as primeira vilas. Ainda hoje podemos encontrar algumas dessas casas, bem conservadas na maioria, transformadas em estabelecimentos comerciais,  principalmente na Avenida dos Eucaliptos, próxima à Avenida Ibirapuera.
O asfaltamento da Região começou duas décadas depois, só que concluída na gestão do Prefeito Faria Lima em 1967, e os bondes deram espaço aos primeiros ônibus.
A verticalização teve início na década de 70, as construtoras pagaram muito barato pelos terrenos, considerados periferia. A primeira grande obra do bairro, o Shopping Center Ibirapuera, foi concluída em 1976.
Moema era simplesmente o nome da artéria que cortava a Avenida Ibirapuera.
Na esquina das duas avenidas funcionava a antiga parada de Moema, localizada ao lado da igreja Nossa Senhora Aparecida, mais conhecida como igreja de Moema.
O primeiro jornal do bairro, a Gazeta de Moema, teve seu lançamento em 12 de setembro de 1986. Para dar mais força ao bairro e estruturar o jornal, foi criada em 23 de fevereiro de 1987,  por Carlos Alberto Accunzo, a Associação de Moradores e Amigos de Moema.
Moema foi elevado a bairro após sanção do prefeito Jânio Quadros, a pedido dos moradores e representantes da AMAM. No mandato de Luíza Erundina o bairro mudaria de nome para Ibirapuera, em homenagem ao parque, mas por pressão da direção da Associação, Moema não perdeu o nome e ganhou mais espaço e hoje seus limites compreendem do Paraíso até o Campo Belo.
Moema tem uma população de 77.340 habitantes, em uma área de 9 quilômetros quadrados ( são 8593 habitantes por quilômetro quadrado). A taxa de desemprego do distrito é insignificante, se comparadas com alguns bairros de zonas mais pobres, segundo a pesquisa. Em Moema, o desemprego é de 0,91% da população ativa enquanto na República, zona central, o índice é de 5,16%. O rendimento familiar também mostra uma enorme diferença social. Enquanto 37,10% dos chefes de família recebem mais de 20 salários mínimos, em Cidade Tiradentes, zona leste, apenas 0,15% estão nessa faixa, diz a pesquisa da PUC SP.
O analfabetismo no bairro é de 0,83%, índice muito baixo em relaçãoa outros bairros; Marsilac e vila Andrade, por exemplo, possuem uma taxa de 9,01% e 8,62% respectivamente. os chefes de família que concluíram o primeiro grau são 11,28% no bairro; Grajaú, zona sul, 43,79%.  Considerando a qualidade de vida, apenas 0,62% das casas não têm acesso ao abastecimento de água: 0,72% acesso precário à rede de esgoto e 0,8% coleta de lixo deficiente. Moema possui 95 barracos de favela, muito abaixo dos 4030 de Vila Andrada, complementa a pesquisa.

Este artigo foi fornecido pelo Colégio Nossa Senhora Aparecida