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Leio o artigo da jornalista Juliana Junqueira publicado
dia 15/08/97 no jornal O Estado de São Paulo e saiba porque as ruas do bairro
de Moema têm nomes de índios e pássaros
AVES RETRIBUEM HOMENAGEM COM CANTO - Ruas que ganharam nomes
de pássaros ainda recebem a visita desses animais.
Canário, rouxinol, tuim, pintassilgo. Esses são nomes de antigos moradores
de Moema. Antes de a área ser loteada, os espécimes viviam livremente nas
matas da região. Para homenageá-los, parte das ruas recebeu nomes de
pássaros. No entanto, poucas pessoas que circulam por essas vias conhecem os
pássaros que ainda visitam o bairro.
A origem da nomenclatura das ruas é uma viagem pela história de Moema. Em 1913
o comerciante Fernando Arens Júnior vendeu terrenos no litoral paulista, para
comprar o Sítio da Traição, porção de terra com 182 alqueires, localizada a
oeste da Vila Mariana. A área ficava entre os Córregos Uberaba e Traição. O
primeiro percorre o trecho correspondente hoje às Avenidas Jabaquara,
Indianópolis, República da Líbano, Jauaperí e Hélio Pellegrino. O outro
leito está sobre a Av. dos Bandeirantes.
Dois anos passaram-se desde a compra do sítio até o início do loteamento. E
1915 o empresário contratou a Companhia Territorial Paulista (CTP) para
demarcar o terreno. A empresa abriu uma grande avenida no centro da área que
recebeu o nome de Araci, hoje Avenida Ibirapuera.
"O nome foi uma homenagem à filha de Arens Júnior", conta a
presidente da Associação dos Moradores e Amigos de Moema, Lyigia Veras de
Freitas Horta. "Ele gostava de nomes. Finalizadas as obras de
estruturação, o comerciante teve outro trabalho: saber como seriam nomeadas as
ruas do bairro que ele chamou de Indianópolis.
A região faz parte dos domínios das florestas atlânticas e, como Moema tinha
resquícios dessa mata possuía, muitas aves. Para marcar a existência desses
espécimes, as ruas entre as Avenidas Ibirapuera e Santo Amaro receberam nomes
de aves. O outro lado do bairro, até a Avenida Rubem Berta, ganhou nomes
indígenas.
Aves Comuns - Entre as aves que dão nome as ruas de Moema e ainda
podem ser encontradas no bairro destacam-se o periquito, araguari (periquitão-maracanã),
pintassilgo, graúna, tuim, canário, juriti, bem-te-vi, sabiá, pombo e o
ibijaú. Arens Júnior não restringiu as denominações a aves com habitat na
região. A ornitóloga e professora do Departamento de Zoologia da Universidade
do São Paulo (USP) Elizabeth Höfling explica que até algumas espécimes não
são originárias do Brasil.
É o caso do pavão, natural do Sri Lanka e da Índia; da gaivota, ave
encontrada em encostas marinhas e da cotovia e do rouxinol, típicos da Europa.
A professora acredita também que outras espécies podem ter existido na
região, como jacutinga, inhambu e macuco. "Essas aves vivem nas matas e
têm um habitat restrito."
O regionalismo deixou marcas no caso de alguns espécimes. " O periquitão
maracanã é conhecido em outras regiões como araguari, explica. Para
Elizabeth, não há como determinar se o número de aves aumentou na cidade ou
não, por causa da falta d dados. No entanto, ela acredita que os animais estão
sendo mais cuidados. "O hobby de observar aves está aumentando",
revela a professora. "Essa postura modifica os hábitos dos moradores, que
passam a preservar mais as aves".
Ariston de Lisboa Costa, zelador há dezoito anos do Edifício Garcia D´Ávilla
na Rua Inhambu, afirma que o número de pássaros não diminuiu. "Há
sempre o mesmo número de passarinhos na pitangueira de frente do prédio",
contou. Dá gosto ver os bichinhos comendo as frutas". O zelador diz que,
apesar de trabalhar na Rua Inhambu, não conhece essa ave.
Zoneamento - Um dos fatores que contribuem para a permanência dos pássaros na
região pode estar ligado ao zoneamento - a maioria residencial -, que garante
tranqüilidade as ruas, ou a quantidade de árvores. "Nessa parte do bairro
há mais residências que no outro lado, onde as vias têm nomes
indígenas", diz o corretor de imóveis Marco Antônio Domingues. "Os
clientes preferem morar nessa área".
Foi essa tranqüilidade que conquistou Núria Barbosa. "Acordo todo dia com
passarinhos cantando",diz. Ela conta que costuma colocar mamão perto de
sua janela para atrair aves. "mas não sei o nome da maioria das espécimes
que voam perto de casa".
São as crianças que mais se divertem com as visitas. Marilaine Rebesco conta
que a filha Maria Batista adora brincar com os pombos que pousam na entrada do
edifício onde mora.
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